O asteroide Bennu, um dos objetos espaciais mais monitorados pela NASA, voltou a chamar a atenção por causa da possibilidade, ainda que remota, de atingir a Terra no futuro. Com cerca de 500 metros de diâmetro, o corpo celeste realiza aproximações periódicas ao nosso planeta e é considerado um asteroide próximo da Terra (NEO, na sigla em inglês). Embora o cenário desperte curiosidade e preocupação, os cálculos atuais indicam que a chance de colisão é extremamente baixa: aproximadamente 0,057% até o ano de 2300, o equivalente a uma probabilidade de uma em 1.750.
O interesse dos cientistas se concentra especialmente na passagem prevista para o ano de 2135. Nessa ocasião, Bennu passará relativamente perto da Terra, mas sem risco de impacto. O ponto crítico é que a gravidade terrestre poderá alterar levemente sua órbita. Caso o asteroide atravesse uma estreita região do espaço conhecida como “buraco gravitacional”, sua trajetória poderá ser modificada de forma a aumentar a possibilidade de uma colisão décadas depois. Pelas projeções atuais, se esse cenário raro ocorrer, um eventual impacto aconteceria em 24 de setembro de 2182.
Apesar da baixa probabilidade, um choque envolvendo um objeto desse porte teria consequências severas. Estudos indicam que a energia liberada seria equivalente à explosão simultânea de dezenas de bombas Tsar, o maior artefato nuclear já testado pela humanidade. O impacto poderia provocar uma devastação regional, além de incêndios, ondas de choque, alterações climáticas e outros efeitos ambientais de grande escala. Ainda assim, especialistas reforçam que existe mais de 99,9% de chance de que Bennu jamais atinja a Terra.
Para reduzir as incertezas sobre sua trajetória, a NASA lançou, em 2016, a missão OSIRIS-REx, que chegou ao asteroide em 2018 e passou mais de dois anos analisando sua estrutura, composição e movimento. As informações obtidas permitiram aperfeiçoar os modelos matemáticos que preveem sua órbita, incluindo a influência do chamado efeito Yarkovsky, fenômeno causado pela emissão de calor da superfície do asteroide, capaz de alterar lentamente sua trajetória ao longo de décadas e séculos.
Além do monitoramento constante, a comunidade científica também desenvolve estratégias para proteger o planeta de uma eventual ameaça futura. Em 2022, a missão DART demonstrou pela primeira vez que é possível alterar a órbita de um asteroide por meio do impacto controlado de uma espaçonave. Outras alternativas em estudo incluem o uso de um “trator gravitacional”, que desviaria lentamente o objeto, e, em situações extremas, a utilização de uma explosão nuclear próxima ao asteroide para mudar sua direção. Embora Bennu permaneça sob vigilância, os cientistas ressaltam que, com a tecnologia atual, a humanidade dispõe de tempo e recursos para acompanhar sua evolução e reagir caso algum risco real venha a surgir.
